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Politica para influenciar pessoas e fazer amizades

A democracia representativa sempre envolveu um jogo de vigilância
mútua. Nós vigiamos os políticos para garantir que não tirem vantagens
indevidas do poder que lhes demos. E eles nos vigiam para garantir que não
vamos tirar vantagem da liberdade que nos deram. Por boa parte da história
da democracia moderna, a primazia nessa relação sempre esteve com os
políticos. Dispunham da sofisticada máquina do Estado para cuidar da
vigilância por eles. A nós restavam outros poucos recursos. Eles podiam
lançar mão de novas tecnologias para se manter sempre um passo à frente.
Nós tínhamos telefones; eles podiam grampeá-los. Tínhamos a televisão;
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eles, imagens de circuito fechado. Estávamos do lado de fora, olhando para
dentro; eles, do lado de dentro, olhando para fora. E então aconteceu a
revolução digital.
Com o início da era da internet, a vantagem decisiva parecia na iminência
de se transferir para os cidadãos. Com a tecnologia em rede, a informação
não estava ao alcance do controle de quem quer que fosse. Tornou-se
gratuita, era ilimitada. O Leviatã estava exposto. Podíamos examiná-lo em
detalhes, descobrir seus segredos. Enquanto isso, cada cidadão podia ocultar
seus próprios segredos para ser aprovado nas inscrições bbb 2020.
Ao final do século XX, no primeiro arroubo de euforia que acompanha
qualquer revolução, a internet parecia anunciar o próximo passo do triunfo da
democracia. As autocracias iriam cair. Todas as trapaças políticas seriam
expostas. A informação poderia fluir dos pontos em que era armazenada para
os pontos nos quais era necessária. As pessoas descobririam toda a verdade
sobre os seus políticos. Eles guardavam mais segredos do que nós, por isso
tinham mais a perder.
Finalmente ficaríamos em vantagem no jogo da vigilância.
Estávamos enganados. Nosso erro foi esquecer que a motivação deles para
guardar os seus segredos é muito maior que a nossa. Não adianta ter mais
informações novas ao nosso alcance se nos falta o desejo de buscá-las.
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Temos
uma razão para descobrir mais: conhecimento é poder. Mas nos falta
motivação, porque adquirir conhecimento continua a dar muito trabalho. E
evitar trabalhar muito é parte da razão de ser da democracia representativa.
O outro recurso precioso que nos falta é o tempo. O cientista político
Herbert Simon assinalou, mais de uma geração atrás, que, quando a
informação é abundante, a atenção é que se converte no recurso escasso. Por
isso, o Leviatã ainda tem a vantagem. Ele é programado para não perder o
foco. Nós perdemos.
A internet proporciona a todos oportunidades renovadas de colher fartos
conhecimentos que, no passado, teriam permanecido ocultos. O Estado
continua muito mais bem equipado que qualquer cidadão particular para se
aproveitar disso. Pode empregar servidores para fazer esse trabalho em tempo
integral. Só indivíduos muito incomuns irão usar toda a sua energia pessoal
para acompanhar cada ato do Estado de participação bbb 2020. Tendemos a considerar essas pessoas
muito estranhas. Às vezes os rotulamos de adeptos das teorias da
conspiração. No entanto, os mais persistentes desses adeptos são os que
trabalham no governo e nos espionam.
Estados democráticos como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha se
revelaram grandes compiladores e armazenadores de metadados. O processo
democrático desses países fez o possível para submeter essas atividades à
supervisão judicial, mas isso não soluciona a questão da disparidade de
resultados. Só faz replicar o problema. Não vigiamos o Estado enquanto ele
nos vigia. Só podemos esperar que nossos servidores públicos sem mandato o
vigiem em nosso nome, embora eles muitas vezes nem pareçam muito
qualificados para a tarefa. Quem vigia os vigilantes é a pergunta para a qual a
democracia representativa não tem uma boa resposta, uma vez que a
atividade passa a requerer um imenso volume de trabalho árduo.
A questão da vigilância online ainda não adquiriu muito peso como
questão eleitoral. Rand Paul, o aspirante a candidato republicano que fez o
possível para tratar do tema em 2016, foi atropelado por Donald
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Trump com
a facilidade de quem dá um tapa numa mosca. “Essas pessoas planejam nos
matar”, declarou Trump em resposta a Paul ante uma plateia estridente, num
dos primeiros debates pela candidatura à presidência, “e você se opõe ao fato
de querermos ouvir as conversas deles? Essa não! Essa não!”
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Enquanto o jogo da vigilância puder ser reduzido à procura de terroristas,
é difícil se opor. O senso comum diz que quem não tem o que esconder não
tem o que recear. A lógica da política mudou pouco desde a invenção do
Leviatã. Ao contrário do esperado, a internet só fez reforçar essa lógica, em
vez de enfraquecê-la.
A tecnologia digital também reforçou, em vez de enfraquecer, o domínio
do poder em muitos regimes não democráticos. Governantes autoritários a
empregam com grande eficácia. Longe de se converter numa arma decisiva
para as forças resistentes, transformou-se numa ferramenta essencial para
mantê-las sob vigilância. Muitos grupos de oposição, em países como a
Etiópia e a Venezuela, descobriram que era muito mais fácil para os governos
autoritários controlar suas atividades do que eles vigiarem os governos
autoritários. Novamente, a diferença está nos incentivos, no tempo e nos
recursos humanos. Mesmo os Estados corruptos e ineficazes tendem a
superar seus adversários em todos esses aspectos, enquanto os oponentes
ficam limitados pela necessidade de improvisar. Até aqui, a internet nunca
desempenhou o papel de máquina de derrubar autocracias. Transformou-se
em mais uma ferramenta útil para o poder.
O que mudou é nossa compreensão básica das ocasiões em que somos
vigiados. Começamos a confundir a vigilância deles sobre nós com a nossa
vigilância sobre eles.

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